CP

É preciso dados e propostas concretas

Realizou-se no dia 14 de janeiro de 2026 uma reunião do Grupo de Trabalho sobre Produtividade e Eficiência, constituído por representantes das Organizações Sindicais e por elementos da CP, ao abrigo do Acordo celebrado em 19 de setembro de 2025.

Na reunião, a CP apresentou os conceitos gerais que enquadram o trabalho do GT e a proposta de criação de Pactos de Permanência. A FECTRANS, em representação do SNTSF, sublinhou que, embora o Grupo de Trabalho seja um espaço conjunto de reflexão, cabe à Empresa apresentar propostas concretas, devidamente fundamentadas e acompanhadas da informação necessária à sua análise.

 É nosso entendimento que não é possível discutir produtividade e eficiência sem partilha de dados, nomeadamente sobre absentismo, escalas, formação, cargas de trabalho e condições em que o serviço público é prestado. A produtividade não pode ser analisada de forma abstrata nem dissociada da organização do trabalho.

Destacamos ainda que os principais constrangimentos da CP são de natureza estrutural, como a falta de trabalhadores, a desorganização das escalas, o elevado recurso ao trabalho extraordinário e o impacto das opções políticas no financiamento do serviço público, apesar do aumento significativo do número de passageiros transportados.

Relativamente aos Pactos de Permanência, a FECTRANS/SNTSF defende que o melhor pacto é a existência de melhores condições de trabalho, horários equilibrados, valorização profissional e salários dignos, porque a experiência demonstra que, onde foram introduzidas regras de permanência, mas que não foram acompanhadas da concretização de melhores salários, falharam sempre.

Sobre esta matéria, qualquer medida deve ser amplamente discutida neste Grupo de Trabalho e nunca servir para limitar direitos, travar progressões profissionais ou condicionar a mobilidade dos trabalhadores.

Continuaremos a intervir neste Grupo de Trabalho, exigindo transparência, dados concretos e soluções que respeitem os trabalhadores, porque sem justiça laboral não há produtividade nem serviço público de qualidade.