CP

Proposta da CP – Primeira reunião de negociação

Realizou-se hoje a primeira reunião de negociação com a CP, na qual a Administração apresentou a sua proposta de actualização salarial para 2026.

A proposta apresentada é a seguinte:

Tabela Salarial

  • 56,58 € para salários até 2.631,62 €
  • 2,15% para salários iguais ou superiores a 2.631,62 €

Subsídio de Refeição

  • Aumento de 0,15 €/dia, passando o subsídio para 10,35 €

A Administração justificou estes valores com o despacho do Governo para o Sector Empresarial do Estado, despacho esse que, na prática, condiciona e limita a negociação colectiva.

O SNTSF/FECTRANS questionou qual é, afinal, a margem negocial da empresa, se a Administração se limita a aplicar orientações governamentais. Negociar implica discutir propostas e contrapropostas, e não apenas comunicar decisões previamente definidas.

Foi igualmente solicitado o envio de dados concretos sobre o impacto da proposta na massa salarial, elemento essencial para que a negociação decorra com transparência e rigor.

Recorde-se que a CP dispõe de Acordo de Empresa em vigor, instrumento que regula, nos termos legais, a negociação salarial entre a administração e as organizações sindicais. O SNTSF/FECTRANS entende que qualquer despacho governamental que estabeleça orientações financeiras para o sector empresarial do Estado não pode substituir-se à contratação colectiva nem limitar a autonomia negocial consagrada na lei. A negociação deve decorrer no respeito pelo Acordo de Empresa, pela boa-fé negocial e pelo direito constitucional à contratação colectiva.

Numa empresa onde, apesar da redução do número de trabalhadores, se transportam cada vez mais passageiros, é inaceitável que não haja uma efectiva valorização salarial de quem assegura diariamente o funcionamento da CP. Os trabalhadores não podem continuar a ser chamados a responder pelos resultados da empresa quando não são responsáveis pelas opções de gestão.

O SNTSF/FECTRANS considera que esta proposta é manifestamente insuficiente e não responde às legítimas expectativas dos ferroviários. A valorização dos salários é fundamental para dignificar as profissões ferroviárias, atrair novos trabalhadores e reter os que já garantem, com profissionalismo e dedicação, o serviço público ferroviário.