O SNTSF – Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, filiado na Federação dos Transportes e Comunicações, lamenta profundamente o grave acidente ferroviário ocorrido hoje, em Espanha, e manifesta a sua solidariedade para com as vítimas, os seus familiares, os feridos e todos os trabalhadores ferroviários envolvidos nesta tragédia.
Na sequência da posição assumida pelo SNTSF em Janeiro, aquando de outro grave acidente ferroviário em Espanha, este novo acontecimento reforça a preocupação com a segurança ferroviária e a necessidade de reflectir sobre as opções que têm vindo a orientar a organização e o desenvolvimento do sector na Europa.
Sem antecipar conclusões sobre as causas deste acidente, que deverão ser rigorosamente apuradas, importa reafirmar que a segurança ferroviária não pode ser tratada como uma questão secundária, nem subordinada a critérios economicistas, à redução de custos ou à lógica da concorrência.
É necessário inverter o caminho que tem vindo a ser seguido na Europa, avançando no sentido da reversão das privatizações e da recuperação de uma gestão pública neste sector, que coloque no centro das suas prioridades a segurança, os trabalhadores, os passageiros e as populações.
A organização do sector ferroviário não pode estar subordinada à aplicação cega de directivas europeias que promovem a liberalização, a fragmentação e a concorrência. Cada país deve poder definir e adaptar os modelos de organização e gestão ferroviária à sua realidade, às suas necessidades e ao interesse das suas populações, sem que isso signifique abdicar da cooperação e da articulação entre os diferentes sistemas ferroviários nacionais.
A segurança só poderá ser devidamente garantida com uma gestão pública, assente em investimentos sustentados nas infraestruturas, na manutenção, nos equipamentos e nos sistemas de segurança da circulação, bem como na contratação de trabalhadores em número suficiente, na sua formação e na valorização das suas condições de trabalho. Tudo isto integrado numa estratégia que tenha como objectivo a prestação de um verdadeiro serviço público, acessível, fiável, seguro e de qualidade.
Ao invés de promover a fragmentação e a concorrência entre operadores, a Europa deveria apostar na cooperação entre os países, na partilha de conhecimentos e experiências, na análise das soluções que produziram resultados positivos e negativos e na adopção das melhores práticas em matéria de segurança. Deveria, igualmente, promover o reforço das ligações ferroviárias dentro de cada país e entre os diferentes países europeus, contribuindo para uma rede mais articulada, eficiente e ao serviço das populações.
É este o caminho que deveria estar a ser seguido: mais serviço público, mais investimento, mais cooperação e mais segurança, em vez de mais liberalização, privatizações e fragmentação do sector.
O SNTSF reafirma a sua solidariedade para com os trabalhadores ferroviários espanhóis e todas as pessoas afectadas por esta tragédia, reiterando que a defesa da segurança ferroviária exige uma mudança de rumo nas políticas para o sector, colocando a vida humana, os direitos dos trabalhadores e o interesse público acima de quaisquer interesses económicos.
A segurança ferroviária é um direito dos passageiros e dos trabalhadores. A ferrovia deve estar ao serviço dos povos, e não subordinada aos interesses do capital.
SNTSF manifesta solidariedade perante novo e grave acidente ferroviário em Espanha




