A Administração da CP – Comboios de Portugal decidiu avançar unilateralmente com a actualização salarial para 2026, fixando aumentos de 56,58 € para salários até 2.631,62 €, de 2,15% para os restantes e um acréscimo de 0,25 € no subsídio de refeição. Trata-se de uma decisão imposta, sem verdadeira negociação, que ignora as propostas apresentadas pelos sindicatos.
Num contexto marcado pelo aumento generalizado do custo de vida, combustíveis, alimentação e habitação, esta actualização revela-se claramente insuficiente para fazer face às dificuldades sentidas pelos trabalhadores e para repor o poder de compra perdido. Enquanto tudo sobe, os salários continuam a ficar para trás.
Esta realidade torna-se ainda mais injusta quando a empresa atinge recordes de passageiros, resultado direto do empenho, profissionalismo e dedicação dos trabalhadores. Ainda assim, esse esforço não encontra correspondência na valorização salarial.
Os ferroviários não podem continuar a pagar a fatura da inflação, das opções políticas e da falta de investimento na valorização do trabalho. É necessário garantir aumentos salariais reais, respeito pela negociação colectiva e o reconhecimento de quem assegura diariamente o serviço público ferroviário.
Entretanto, a Administração informou que pretende dar continuidade ao processo negocial relativamente a outras prestações pecuniárias, prevendo o agendamento de reuniões com as organizações sindicais na segunda metade de abril, distribuídas por três mesas negociais.
O SNTSF/FECTRANS considera que este processo só fará sentido se houver uma verdadeira abertura para negociar e apresentar soluções concretas, não podendo servir para adiar ou desviar a atenção da questão central: a valorização efectiva dos salários dos trabalhadores da CP.




