Realizou-se hoje a reunião sobre os aumentos salariais para 2026 na Infraestruturas de Portugal. Aquilo que deveria ser um verdadeiro processo de negociação confirmou-se, uma vez mais, como a simples aplicação de um despacho do Governo.
Denunciamos, uma vez mais, que o Governo está a sobrepor-se à contratação coletiva, impondo previamente os limites dos aumentos salariais nas empresas do sector empresarial do Estado. Em vez de existir negociação, apresentam-nos um valor fechado, decidido pela tutela, tentando transformar os sindicatos em meros executores de uma decisão política.
A IP Informou que dispõe de 7,5 milhões de euros para aumentos, mas desses 3 milhões já estão destinados a progressões, sobrando apenas 4,5 milhões para atualização geral dos salários.
Sem surpresa, a IP limitou-se a apresentar o “modelo tipo” definido pelo Governo para outras empresas que é a seguinte:
- 56,58 € de aumento para salários até 2.631,62 €;
- 2,15% para salários superiores;
- 0,15 € de aumento no subsídio de refeição.
Para nós, Comissão Negociadora Sindical (CNS) – FECTRANS/SNTSF e FNSTFPS, esta proposta é claramente insuficiente. Mantém e perpetua os baixos salários na empresa, não responde à perda de poder de compra acumulada e não valoriza o trabalho de quem diariamente garante o funcionamento de uma empresa estratégica para o país.
É inaceitável que se tente ainda passar para os sindicatos o ónus da responsabilidade por rejeitarmos aumentos que não garantem salários dignos. A responsabilidade pelos baixos salários não é de quem luta para os aumentar, é de quem os impõe.
Ficou agendada nova reunião para o próximo dia 11. A questão que se coloca é simples: será uma reunião para negociar seriamente ou apenas para legitimar uma decisão já tomada?
Da nossa parte, não aceitaremos que a contratação coletiva seja esvaziada nem que os trabalhadores da IP continuem a ser desvalorizados.
Iremos fazer um comunicado e auscultar os trabalhadores. Valorizar salários não é um favor, é uma obrigação.




